sexta-feira, 27 de agosto de 2010

MACONHA E LSD


MACONHA

A maconha é uma das drogas usada há mais tempo pelo homem. Há registros de roupas e utensílios fabricados a partir da planta cannabis sativa datando de até 7000 anos atrás. Em 2008, foram descobertos dois quilos de maconha num túmulo do deserto de Gobi, na China. Análises em laboratório constataram que a maconha encontrada teria cerca de 2700 anos: a maconha mais antiga do mundo!! O componente ativo da maconha é o ∆9-tetrahydrocannabinol (∆9-THC), e exerce seus efeitos através da ligação com os receptores canabinóides CB1 nos neurônios pré-sinápticos. Essa ligação ativa proteínas G que ativam ou inibem vários caminhos de transmissão de sinais. Essas proteínas G inibem diretamente alguns canais de cálcio e sódio e inibem indiretamente outros canais de cálcio através da inibição da enzima adenilato ciclase. São ativados canais de potássio e o caminho sinalizador da MAP quinase. Essas ações tem como efeito as sensações de euforia associadas ao uso de maconha. Alguns efeitos do uso de maconha são: noção temporal alterada, olhos vermelhos, boca seca, fome intensa, risos involuntários, euforia, sono, comprometimento da memória de curto prazo e de tarefas simples de aprendizagem – sensações subjetivas de confiança e aumento da criatividade não se refletem no desempenho real, comprometimento da coordenação motora, analgesia, catalepsia(retenção de posturas fixas fora do normal), broncodilatação, vasodilatação, redução da pressão intra-ocular. O uso prolongado e em grandes quantidades gera prejuízos nítidos nas habilidades interpessoais do indivíduo, afetando seu rendimento acadêmico, profissional e suas relações afetivas. A maconha têm vários usos medicinais: devido à ação expectorante do THC, pode ajudar pacientes com asma ou outros problemas respiratórios. O THC também tem entre seus efeitos a redução de náuseas e a famosa “larica”, uma fome intensa que aparece algum tempo após o uso; esses dois efeitos tornam a substância altamente benéfica para pacientes em estágios avançados de câncer, aliviando os efeitos da quimioterapia e da própria doença. Outras aplicações possíveis são: alívio de Síndrome do Stress Pós-Traumático (PTSD), Síndrome do Membro Fantasma, anorexia esclerose múltipla (alivio de dor e espasmos musculares). Há vários outros tipos de canabinóides: canabidiol(precursor do THC presente na planta), canabinol, anandamida (canabinoide endógeno), 11-hidroxi-THC (metabólito mais ativo que o próprio THC e que contribui para o efeito farmacológico). Há uma outra classe de receptores canabinóides – CB2 – em células do sistema imune, controlando a migração celular e a liberação de citocinas. Sua importância como fator nos efeitos do THC e de outros canabinóides ainda não está clara. Não apresenta auto-administração em modelos de animais; a dependência física ocorre em grau pequeno e principalmente em usuários pesados. A dependência psicológica, por sua vez, ocorre em certo grau com a maconha, sendo porém insuficiente para classificá-la como verdadeiramente viciante. O THC é relativamente seguro em superdosagem, produzindo sonolência e confusão, mas não efeitos respiratórios ou cardiovasculares que ameacem a vida (logo, é mais seguro que a maioria das substancias passiveis de abuso). Reduz consideravelmente a testosterona plasmática (50%) e a contagem de espermatozóides em indivíduos que fumam 10 cigarros de maconha ou mais por semana. Há indicações de correlação do uso da maconha na adelescencia com o aparecimento precoce e exacerbado de doenças mentais em indivíduos pré-psicóticos. Há estimativas de que eliminando-se o consumo da substancia entre jovens de menos de 15 anos, reduziriam-se em 8% os casos de esquizofrenia.


LSD

Alucinógeno excepcionalmente potente capaz de produzir fortes efeitos no homem em doses inferiores à 1µg/kg. É um derivado químico do acido lisérgico, que ocorre naturalmente no fundo de cereal ergot, sintetizado pela primeira vez por Hoffman em 1943. O próprio Hoffman engoliu deliberadamente cerca de 250µg de LSD e descreveu a experiência 30 anos mais tarde, relatando sensações de alucinação intensa. Aqui vai o relato do nobre Albert, mantido em inglês para maior dramaticidade: "... little by little I could begin to enjoy the unprecedented colors and plays of shapes that persisted behind my closed eyes. Kaleidoscopic, fantastic images surged in on me, alternating, variegated, opening and then closing themselves in circles and spirals, exploding in colored fountains, rearranging and hybridizing themselves in constant flux...".
Seus principais efeitos são exercidos sobre a função mental, notoriamente gerando alterações perceptivas que causam a confusão de sons e luzes (ouvir luzes e ver sons), tornando imagens e sons distorcidos e fantásticos, bem como alucinações visuais, auditivas, táteis ou olfativas. Os processos de pensamento tendem a ficar ilógicos e desconectados, apesar de o indivíduo reter a noção de que essas alterações foram causadas pela droga e normalmente achar a experiência hilariante. No entanto, o LSD ocasionalmente produz efeitos extremamente perturbadores para o usuário (bad trip). Quando isso ocorre, a experiência alucinatória assume qualidade ameaçadora e pode ser acompanhada por delírios paranóides, a ponto de provocar tentativas de homicídio ou suicídio. Flashbacks podem ocorrer semanas ou meses mais tarde, e nada tem a ver com o fato de o LSD "ficar para sempre" no organismo. O LSD, na verdade, tem uma meia vida aproximada de 3 horas, sendo metabolizado completamente 24 horas ou menos. Atua nos receptores 5-HT(serotonina). Acredita-se que no SNC funcione primariamente como agonista do receptor 5-HT. A relação do mecanismo de ação com os efeitos alucinógenos é pouco compreendida. Aranhas sob o efeito do LSD tecem fios desorganizados e caóticos em vez da bela e habitual malha simétrica. Não é auto-administrado por animais experimentais (propriedades aversivas e não de reforço, ao contrario da maioria das drogas passiveis de abuso pelo homem). Não há síndrome de abstinência física em animais ou no homem, mas pode precipitar crises em pacientes esquizofrênicos.


Saudações cordiais, e até a proxima!
Gabriel - MED 91


http://www.lycaeum.org/leda/docs/8835.shtml?ID=8835
http://www.nature.com/nature/journal/v252/n5484/abs/252586a0.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Lysergic_acid_diethylamide#Psychotherapy
http://cannabis.com/viewArticle.php?article_id=101&title=World_s_oldest_marijuana_stash_totally_busted
http://patients4medicalmarijuana.wordpress.com/time-to-legalize-marijuana-judge-jim-gray/
http://patients4medicalmarijuana.wordpress.com/2009/11/09/ptsd-and-cannabis-a-clinician-ponders-mechanism-of-action/
http://www.researchgate.net/publication/7310027_The_mechanism_of_action_of_cannabis_and_cannabinoids
http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_LSD#Bicycle_Day

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